O cachorro balança o rabo porque é mais esperto do que ele.
No filme Mera Coincidência ( Wag the dog, algo como balance o cachorro em português), o diretor mostra como a mídia e o público podem ser facilmente manipulados pelo governo e suas assessorias, explorando com sarcasmo e diálogos inteligentes, a vulnerabilidade do jornalismo que se prende aos releases e declarações oficiais e o prejuízo disso para o público.
As contradições de um país que utiliza a guerra para resolver seus mais variados problemas internos, e a total ignorância e descaso do povo americano pelo resto do mundo também são alvo de escárnio do experiente diretor;
No filme, Brean e Motss produzem uma série de acontecimentos, tal qual um filme de Hollywood. Nenhum dos detalhes da imaginária guerra com a Albânia passa despercebido pela dupla e por sua talentosa equipe, que conta com um velho músico, uma especialista em moda e um hábil publicitário.
Cada fato novo da história conta com trilha sonora, imagens de estúdio e um cuidadoso trabalho de marketing. As noções de política, jornalismo e propaganda se fundem.
“Mera Coincidência” é uma comédia repleta de exageros e passagens inverossímeis, mas é assustadora ao colocar em cheque a confiabilidade das informações governamentais circuladas pela mídia.
Ele mostra muito da propaganda de guerra que se usa por parte de governos corruptos e com interesses bélicos.
Apesar da complexidade do tema, o filme é envolvente e realmente muito engraçado, pois o filme mostra como a mídia manipula massas. Os meios justificam os fins. Tudo é válido quando o assunto é política. Até matar, como foi o caso.
A imprensa, por sua vez, é mostrada como incompetente e totalmente despreparada dada a facilidade com mordia as iscas faziam o jogo dos produtores do “filme”.
Tudo muito bem pensado e executado. Até a negação foi utilizada no roteiro, afinal, no momento que o governo nega o conflito com a Albânia, a imprensa fica mais interessada no caso, absorvendo qualquer informação sobre o caso.
*CUIDADO: Qualquer semelhança com a realidade (inclusive a brasileira), não é mera coincidência.
No “Aniversário” do 11/09 em NY, vamos novamente testemunhar “aquele estardalhaço de sempre a respeito das vítimas norte-americanas, emotividade a mil, homenagens, lançamento de filmes e eventos”*¹ , será assim por algum tempo… afinal os fatos são imutáveis, o que muda é a maneira como os vemos, e é nessa hora que a consciência crítica faz a diferença.